Como era o sexo na Idade Média?

É comum imaginar que, na Antiguidade, a relação das pessoas com o sexo era bem simples: mera proibição e restrição ao casamento. No entanto, um novo livro chamado The Fires of Lust: Sex in the Middle Ages, da historiadora Katherine Harvey, mostra que, pelo menos na Idade Média, a coisa era bem mais complexa.

As histórias contadas no livro mostram poções para as mulheres se tornarem virgens de novo, crenças de que monges morriam por falta de sexo, padres invocando demônios para atrair mulheres, e daí por diante.

A obra explica que a visão que as pessoas na idade média tinham da sexualidade combinava dois sistemas de valores: a do cristianismo católico e a medicina galênica.

O culto à castidade

(Fonte: Milo Manara)(Fonte: Milo Manara)

O dogma religioso do catolicismo ensinava às pessoas que elas não deveriam sentir desejo, pois estariam cometendo o pecado da luxúria. Na Idade Média, acreditava-se então que os humanos não deveriam ter prazer no sexo, as mulheres não deveriam menstruar e os homens não deveriam ejacular.

Assim, muitas pessoas medievais acreditavam que era muito louvável ser virgem até morrer — mas ser virgem, em sua ideia, não era apenas não fazer sexo ou masturbar-se, mas também não ter nenhum pensamento sexual. Isso, claro, era bem raro de acontecer.

Para ilustrar isto, o livro traz o relato de um monge que afirmou ter sido provocado pelo demônio a esfregar seus genitais até ejacular. Mesmo sem nunca ter feito sexo, ele foi considerado por um bispo como não sendo mais virgem.

Dentro desta mesma linha, havia um livro de medicina feminina que recomendava remédios para recuperar a virgindade — com poções feitas de clara de ovo, flores e ervas. Mulheres que quisessem fingir ser virgens poderiam colocar uma sanguessuga na vagina: assim, o homem que fizesse sexo com ela veria o sangue e se convenceria.

Como a virgindade era muito respeitada na Idade Média, algumas pessoas acreditavam que a aparência de uma mulher poderia revelar se ela era “pura”. Seios grandes indicariam grande experiência sexual. Por isso, as jovens tentavam usar estratégias para impedir que seus seios crescessem demais.

A visão da medicina sobre o sexo

(Fonte: Tok de História)(Fonte: Tok de História)

A medicina medieval se centralizava na ideia de que os indivíduos teriam saúde caso equilibrassem seus quatro “humores”: sangue, fleuma, bílis negra e bílis amarela. Dentro dessa visão, acreditava-se que o homem era “quente” e a mulher era “úmida e fria”. Ela menstruava, portanto, porque não tinha calor corporal suficiente para secar os humores ruins e excessivos dentro dela.

As ereções masculinas seriam, para o povo medieval, o resultado de um “espírito ventoso” — por isso, homens com impotência deveriam comer alimentos que causavam gases. Os médicos acreditavam que o excesso de sexo era muito perigoso para a saúde: poderia levar ao ressecamento do corpo, à perda de cabelo, problemas do coração e insuficiência renal.

Por outro lado, havia também a visão da medicina de que pouco sexo poderia ser igualmente prejudicial. No caso das mulheres, faria que elas não recebessem o calor necessário para “temperar sua natureza frígida”. O útero poderia também “sufocar”, o que era um risco grande para adolescentes e viúvas.

Para solucionar este problema, havia médicos que provocavam orgasmos nas pacientes para liberar o “excesso de semente” que prejudicava a sua saúde. Mas o remédio ideal, claro, era o casamento.

Além disso, os pecados sexuais graves — como incesto, adultério e sexo com freiras — poderiam render punições sérias, como espancamentos e até execuções. Açoites públicos eram comuns, e os adúlteros eram obrigados a correr pela rua amarrados pelas genitais enquanto apanhavam.

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