Cientistas descobriram o 1° planeta a orbitar 3 estrelas

Distante 1,3 mil anos-luz da Terra, cientistas afirmam ter encontrado um planeta na Constelação de Órion, chamado GW Ori, que seria o primeiro do Universo a orbitar três sóis. De acordo com os pesquisadores, a explicação mais provável para esse tipo de comportamento seria que o planeta tivesse a dimensão semelhante à de Júpiter — ou até mesmo maior.

A suposta descoberta foi publicada em um artigo no Monthly Notices of the Royal Astronomical Society em setembro de 2021. O sistema estelar de GW Ori é objeto de estudo de astrônomos há tempos, e a estrutura dele, composta de 3 estrelas, é cercada por um grande disco de poeira e gás, tendo três anéis desalinhados entre si.

Telescópio de última geração foi fundamental às pesquisas sobre o GW Ori

(Fonte: ALMA/W. Garnier)(Fonte: ALMA/W. Garnier)

Planetas como a Terra orbitam estrelas como o Sol. Isso aprendemos logo no início de nossa vida escolar. Contudo, você já ouviu falar de planetas que orbitam duas estrelas? E três, quatro ou cinco?

Nos Andes Chilenos, no Planalto de  Chajnantor, o Observatório Europeu do Sul (ESO) opera o Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA), um telescópio de última geração com o qual os astrônomos encontraram os três anéis de poeira ao redor de GW Ori.

Essa região, de condições ímpares de observação, foi fundamental à descoberta e melhor análise do que ocorre na constelação de Órion. O desalinhamento dos anéis também chamou bastante a atenção dos cientistas, que apontaram o jovem planeta como o primeiro a ter três sóis orbitando-o concomitantemente.

Descoberta ampliaria a compreensão sobre a formação de planetas

(Fonte: ESO/L. Calçada, Exeter/Kraus)(Fonte: ESO/L. Calçada, Exeter/Kraus)

Para chegar às hipóteses apresentadas no artigo, os autores do estudo fizeram simulações 3D baseadas em outros anéis de poeira. Dessa forma, buscaram compreender como a lacuna do disco havia-se formado.

Segundo Jeremy Smallwood, um dos cientistas envolvidos com a pesquisa e a publicação do material, a confirmação dessa descoberta ampliaria os conhecimentos sobre a formação planetária. “Isso pode significar que a formação é muito mais ativa do que pensávamos”, contou em entrevista à Forbes.

Como o planeta ainda não foi detectado, o telescópio ALMA seguirá sendo utilizado pelos astrônomos ao longo dos próximos meses. Essas novas observações poderão fornecer evidências diretas da existência do planeta ou planetas.

Sistemas com várias estrelas são relativamente comuns

(Fonte: Forbes/Stellarium)(Fonte: Forbes/Stellarium)

A possível descoberta do GW Ori e de suas três estrelas orbitais pode parecer um fato raro, porém sistemas como o Solar, com uma única estrela, é que fogem à regra.

Astrônomos estimam que, aproximadamente, 85% das estrelas estão em sistemas binários, em que 2 estrelas orbitam um centro de massa comum. Destas, algo próximo a 10% estariam em sistemas estelares triplos ou múltiplos. É essa pequena porcentagem de sistemas com mais de 2 estrelas que mais entusiasma quem pesquisa o assunto. Ela sugere que planetas poderiam surgir em qualquer lugar, inclusive os cada vez menos comuns.

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